
Edição: Mhario Lincoln com José Wilson e O Globo
Foto:Vooz
Para construir essa beleza toda o governo de Dubai teve inclusive que fazer um empréstimo para terminar a obra que é, na verdade, a maior do Mundo: a BURJ DUBAI. Mas conseguiu acabar e vai inaugurá-la hoje, segunda-feira (22/02/10), numa grande festa. Aliás, o Emirado pediu moratória. Os números do empréstimo chegou a 10 bilhões de dólares. Quem é o credor? Fácil. Uma outra potência daquele lado de lá: ABU DABHI.
O Burj Dubai tem 800 metros de altura, com 160 andares, exterior todo coberto com cerca de 28 mil painéis de vidro, que brilham ao sol do deserto em torno de Dubai. Essa altura ultrapassa o então prédio mais alto do mundo, o Taipei 101, em Taiwan, com 508 metros de altura., sendo duas vezes mais alto que o Empire State, em Nova York, o que possibilita vê-lo a uma distância de 95 quilômetros.O desenho do edifício trouxe desafios técnicos e logísticos sem precedentes, não apenas por conta de sua altura, mas também porque Dubai é suscetível a fortes ventos (algo em torno de 50 km/hora, sendo no topo, tres vezes isso) e está perto de uma falha geológica.
“Você encontra as soluções para o problema, mas sempre se pergunta se elas vão realmente funcionar. Fomos atingidos por raios duas vezes, houve um grande terremoto no ano passado originado no Irã, e tivemos todos os tipos de vento atingindo o prédio durante a construção. Os resultados foram bons e eu cumprimento os arquitetos e profissionais que ajudaram a construí-lo.”, disse à BBC Mohamed Ali Alabbar, diretor da Emaar, a empresa responsável pela construção.
Poder do leste
Nas últimas duas décadas, houve um aumento da construção de arranha-céus na Ásia e Oriente Médio, onde se localizam hoje quatro dos cinco edifícios mais altos do mundo.
“Isso se deve à confiança”, afirma Andrew Charlesworth da consultoria imobiliária Jones Lang LaSalle. “Muitas dessas economias emergentes se veem como importantes jogadores mundiais e querem demonstrar que são capazes de desenvolver este tipo de projeto.”
“A riqueza do mundo está se mudando do Ocidente para o Oriente e as economias emergentes querem destacar suas expectativas para o futuro em termos de como elas vão se posicionar globalmente.”
Elefante branco?
Dubai é uma cidade de superlativos, onde tudo é maior e mais arrojado. Nos últimos anos, a cidade atraiu a atenção internacional com ilhas artificiais, edifícios giratórios e um hotel sete estrelas.
Mas como muitos dos outros prédios mais altos do mundo do passado, Burj Dubai foi planejado e construído durante os anos de crescimento econômico, e foi concluído durante a crise global do mercado de crédito – o Empire State foi concluído durante a Grande Depressão dos anos 30 e as Torres Petronas, na Malásia, durante a crise asiática dos anos 90.
Muitos questionaram se o novo edifício seria um elefante branco, mas Ali Alabbar, presidente da empresa responsável pela construção, afirma que 90% do prédio já foram vendidos e que a construtora já obteve mais de 10% de lucro.
A maioria dos imóveis foi vendida ainda na planta, antes da crise no mercado imobiliário, e os compradores já pagaram 80% do valor, com os 20% restantes a serem pagos na ocupação.
Para os investidores, o resultado de seu empreendimento ainda é incerto. No auge de sua avaliação, os imóveis valiam até 5.000 dirhams (cerca de R$ 2.365) por metro quadrado, mas com a crise, o preço chegou a cair 50% e pode cair outros 30%, segundo o analista imobiliário do banco de investimentos USB Saud Masud.
