
Reconhecendo os limitesNo momento em que o tema Direitos Humanos1 aflora os ânimos mundo afora, pois o que deveria servir de regra geral acabou caindo nas armadilhas do bicho homem e sendo interpretada ao bel prazer de cada indivíduo e nação; parei para refletir sobre o assunto no âmbito da minha perspectiva cidadã.
Não deveria, mas é um fato: o ser humano realmente precisa da coerção normativa estabelecida pela sociedade. Por mais obvias que determinadas situações cotidianas possam ser, só a imposição dos códigos jurídicos para colocar tudo no seu devido lugar. Sim! O homem não é um ser coletivo! Sua dificuldade em viver coletivamente, em respeitar as fronteiras do “eu” e do “nós” é absurda! Ele não consegue transcrever, mesmo que hipoteticamente, as dores e os infortúnios de seus semelhantes, se colocar nesta ou naquela situação, para avaliar o contexto, o grau de perturbação e caos que isso promove. É como diz o ditado popular: “pimenta nos olhos dos outros é refresco!”.
Só que não é bem assim, que a roda gira! Se extrapolamos, desrespeitamos, invadimos, usurpamos o espaço alheio haverá também quem pense da mesma forma e revide sobre nós. A grande questão é saber aonde esse ciclo irá nos levar. Como pensar verdadeiramente nos Direitos Humanos se somos capazes de enxergar os fatos somente quando nos entregamos à subserviência dos papéis? Vivemos numa sociedade de corsários que pilham do nosso direito ao descanso, ao sono, até a justiça social.
Palavras como “obrigado”, “com licença”, “me desculpe”, ”por favor,” estão caindo em desuso. Desculpam-se alguns pela correria cotidiana; mas, a grande verdade é que as lições do “bem comum” 2 se perderam no vendaval individualista. Então, as trivialidades tornaram-se motivos, também, para a busca de socorro nas leis. Nada de bom senso! A sensatez da questão precisa estar nos títulos, nas seções, nos artigos, nos parágrafos e nos incisos; bem como, na cabeça dos promotores e magistrados para que os faça cumprir. Ao entregar as decisões mais banais ao julgamento de terceiros, fica revelada a nossa incapacidade de autonomia, que permanecemos dependentes de arreios e cabrestos éticos e morais para controlar tamanho primitivismo.
O planeta Terra já vive sob uma imensa expectativa de caos e turbulência, cada um que reconhecer e respeitar o seu espaço já estará sem duvida alguma contribuindo significativamente para a paz, o equilíbrio e todos os direitos que regem a humanidade. É tempo de coexistir, de dispensar os preciosos minutos que nos restam ao que seja útil, vital e capaz de preservar a nossa própria espécie.
Alessandra Leles Rocha , É natural de Uberlândia, Minas Gerais, onde se graduou Bacharel em Ciências Biológicas (2000) e Mestre em Geografia / Área de Concentração: Análise, Planejamento e Gestão Sócio-Ambiental (2003), pela Universidade Federal (UFU).
