
Pessoal e Intransferível
(*) SALVADOR DECÁ
EM TEMPO: Viram a prisão de três pastores da Igreja Mundial do Poder de Deus, em Minas Gerais, que traficavam armas potentíssimas para entregarem em uma das favelas do Rio de Janeiro? Vou repetir: três pastores. A matéria foi mostrada pelo Jornal nacional.
Quando o traficante Marcola foi preso, de dentro da cadeia, ele comandou um dos maiores atos terroristas da história do Brasil, causando a morte de inocentes. O bando de Marcola seguiu rigorosamente às ordens do mestre marginal. Até aí se pode entender. Mas quando evangélicos, pastores, homens que falam – em nome de Jesus - começam a usar tudo isso em benefício pessoal e ainda por cima seus seguidores o defendem com a velha tréplica de que “isso é obra do Santanás”, pelo amor de Deus, digo eu: tal fato é um dos maiores absurdos que muitas Igrejas fazem; grande parte das Igrejas Evangélicas, que abundam em cada canto, em cada esquina deste País.
Quando aquele casal foi preso com muitos dólares nos Estados Unidos, até mesmo o jorgador de futebol-pastor Kaká os defendeu repetindo a tréplica “isso é coisa do Satanás”. Ora, seu pastor Kaká todo mundo sabe que roubo, apropriação indébita, furto qualificado ( com abuso de confiança, ou mediante fraude, escalada ou destreza), esses grafados, os mais comuns em quase todas as igrejas evangélicas neste Brasil – claro que tem várias exceções - entre outros, é coisa do Satanás. Só que em muitos casos, é o Pastor (ou responsável, ou mentor espiritual) o próprio Satanás ao cometer impropérios de tão grave natureza penal e dolosa.
A realidade evangélica no Brasil é dura e difícil de entender porque são esses os que mais exaltam a figura de Jesus Cristo, mas são lobos em pele de ovelha. Leia :
“O evangelicalismo brasileiro é marcado por figuras controversiais. Há gente boa e anônima, ladrões famigerados, e alguns que, por cabeça fraca, se deixaram levar pela corrente, abrindo mão do divino dom de pensar. Pastores sérios e zelosos, vendilhões do templo e marionetes alienadas, todos eles fazem parte do cenário gospel brasileiro. Por Leonardo Gonçalves”.
À propósito, li, com tristeza, o caso de Garotinho e sua esposa Rosinha, hoje, pense num absurdo, ela, prefeita de Campos-RJ, uma das cidades mais beneficiadas com a rende dos royalties de petróleo. Ela sozinha comandou, ano passado (2009) um orçamento de 1,1 bilhão de reais. Desses, 80% vieram dos royalties. Mas voltemos. Ambos foram pegos mais uma vez em “possíveis práticas fraudulentas”. (Veja matéria transcrita abaixo). Ambos são pastores. Ambos são “exemplos de honestidade”. Para quem não sabia, o ”irmão Anthony Garotinho converteu-se a Cristo após um grave acidente de carro, em 1994. Rosinha e os filhos do casal converteram-se em 1996. Todos são membros da Igreja Presbiteriana Luz do Mundo”. Veja só!
Agora eu pergunto: “O que são verdadeiramente esses pastores-homens de Cristo?” Muitos deles (lembram da oração da propina?) estão novamente ameaçados de perder seus direitos políticos por “ações fraudulentas”. Parece lavagem cerebral tão condenada nos anos 70. Mas ninguém, ninguém mesmo do comando maior das Igrejas Evangélicas Brasileiras se preocupa em tirá-los (esses pastores e membros marginais) do convívio dos fiéis para resguardar o mal exemplo passado por eles. Será que o Cristo, o Jesus, o Deus que esses caras pregam são verdadeiros ou são cópias mal-feitas no intúito de enganar a população evangélica? Milhões de evangélicos são defensores inexplicáveis desses pseudo-pastores, infelizmente, como os seguidores de Marcola também o são. Não há diferença. Nem com relação à mortes e à violência. Há casos, numa grande igreja, de inúmeros suicídios. Pense num desespero, só! Gente que aplicou o que tinha para “salvar a alma” e, logo depois, se viu envolvido numa realidade nua e crua. Sem saída, decidiu dar cabo à própria vida.
Olha, peço aqui permissão para o editor-chefe para dizer que tais afirmações aí em cima não são minhas, mas tem base em informações públicas. Basta abrir jornais e revistas e ler notícias diárias sobre os escândalos de líderes evangélicos misturados à política brasileira. Eu se congressista fosse, mexeria na cláusula da liberdade religiosa e acrescentaria alguns parágrafos e alíneas contra esse abuso, “em nome do nosso senhor Jesus”. Os escândalos estão aí. Diariamente, como aquele do Maranhão que eu li na coluna do companheiro Hélcio Silva, pense num cara sensacional, cujas charges eu faço: “A governadora andou distribuindo grana para o Carnaval dos Crentes”.
Pense nesse outro absurdo: “Carnaval dos Crentes!”
Abaixo reproduzo nota da revista Veja desta semana. Pense em mais um absurdo!
“Com uma trajetória pública marcada pelo populismo, por práticas fraudulentas e até por um processo em que responde por formação de quadrilha armada, o ex-governador Anthony Garotinho (PR-RJ) está enredado em mais um escândalo de corrupção, trazido à tona pelo Ministério Público do Rio de Janeiro na semana passada. O esquema chama atenção por envolver e beneficiar, diretamente, a ele próprio e sua mulher, Rosinha – ambos denunciados com mais 86 nomes, entre eles o da atriz Deborah Secco, todos com os bens bloqueados pela Justiça. A investigação concluiu que, durante os quatro anos do governo de Rosinha, 58 milhões de reais foram surrupiados dos cofres do estado, dos quais 600 000 reais seguiram para o caixa da pré-campanha de Garotinho. Ele planejava sair candidato nas eleições presidenciais de 2006, mas, sob acusações variadas e depois de uma greve de fome que o expôs ao ridículo, acabou fora do páreo. Diz a VEJA o promotor Eduardo Carvalho, à frente do caso: “Poucas vezes numa investigação dessas foi possível rastrear o caminho do dinheiro desviado com tamanha precisão e riqueza de detalhes. Os fatos são irrefutáveis”. O próximo passo do Ministério Público será apurar se houve participação de líderes evangélicos no esquema, sobre a qual há indícios.
Já está bem claro, no entanto, de onde as verbas do estado eram subtraídas e como, depois, chegavam à campanha de Garotinho e ao bolso dos demais envolvidos. A operação tinha como ponto de partida a Fundação Escola de Serviço Público (Fesp), órgão do próprio governo estadual ao qual Rosinha autorizou, por lei, contratar serviços terceirizados – repassados a ONGs – para atender às várias secretarias. Essas ONGs, por sua vez, forjavam contratos com empresas, pelo menos três delas de fachada, para executar projetos que jamais saíram do papel. O Ministério Público concluiu que o operador do esquema era Ricardo Secco, pai da atriz Deborah Secco. As contas-correntes dela registram depósitos provenientes de duas dessas empresas, no valor de 321 000 reais. Defende-se a atriz: “Nunca tive nenhum envolvimento com política. De minha parte, estou inteiramente tranquila”. Com a denúncia, Garotinho, que até então se apresentava como candidato ao governo do estado, e Rosinha, atual prefeita da cidade de Campos, perigam ter, enfim, seus direitos políticos cassados na próxima década”. (Edição 2155 / 10 de março de 2010).
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(**) O que está escrito na foto de Fernando Cavalcanti, da capa: “
VEJA 5 – O PREÇO DA FÉ V – FALA QUE EU TE ESCUTO
15 de agosto de 2009
Ex-fiéis contam como a Igreja Universal tirou tudo o que tinham. Abaixo, um dos vários relatos que estão na revista.
CONSELHO DA IGREJA
“Em 2007, eu estava em dificuldades financeiras e pedi aconselhamento a um pastor da Universal. Ele disse que minha vida só melhoraria se eu doasse dinheiro à igreja. Contei a ele que meu marido estava com 2 800 reais guardados em casa, pois havia vendido um carro. O pastor disse que era pouco e perguntou se eu não conseguiria mais. Respondi que havia também 400 reais separados para o aluguel. Ele pediu que eu inteirasse 3 000 reais e levasse à igreja na mesma hora. Fiz o que ele mandou. Quando meu marido descobriu, ficou muito bravo. No dia seguinte, fomos ao templo pedir ao pastor para devolver o dinheiro. Ele disse que era impossível, falou que eu estava com um encosto e ainda mandou meu marido fazer um BO contra mim por furto. Hoje, me arrependo de ter caído naquela conversa.” Simone Vitório, 31 anos, cabeleireira (ao lado do marido, Aparecido)
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(*) Salvador DECÁ é chargista e articulista do Portal Mhario Lincoln do Brasil, sem vinculo empregatício. É apenas colaborador espontâneo. Suas idéias e textos aqui reproduzidos são de inteira responsabilidade pessoal dele.
