Convidados Especiais:
Dudu Oliva & Charles Dias.

A CEIA DE NATAL
DUDU OLIVA
APARTAMENTO 101
Antônio só está de cueca sentado na poltrona. Bebe cerveja e assiste a tv. O telefone toca várias vezes, não atende. Sempre fica triste nesta época, lembra das pessoas queridas que já se foram. A campanhia toca, é Marinalda:
– Vem passar o natal lá em casa, seu Antônio, tem tanta coisa...
– Tudo bem, vou me aprontar.
– Se demorar muito, volto aqui e te carrego pelas orelhas.
APARTAMENTO 202
Marinalda mora com o filho, que é muito frágil de saúde. Ela sempre inventa festas para animar o menino. É só ela e ele. Marinalda não fala de seu passado: “ vivo o agora, isso me basta.”. No dia do natal faz uma ceia bem bonita, a casa já está toda enfeitada. Resolve convidar os vizinhos de mais afinidade e que não tinham viajado. O seu filho fica animado, quer saber o que vai ganhar do
Papai Noel. – Calma!! Você vai adorar, Luca.
APARTAMENTO 303
Laura estava na praia. Olhava fixamente o mar. Senti-se um bloco de amargura e deseja se dissolver na imensidão do mar. Começa a andar. Esbarra num homem, que só reconhece segundos depois.
– Você é o meu vizinho?
– Sim, moro no 501. Sou o Pedro.
– Pois é, não te reconheci de primeira, quase não te vejo. Moro no 303.
– Sei. Eu trabalho muito...
– Pois é... nossa vida é agitada hoje em dia.
– Laura, esse é o seu nome, né?
– Sim. Hoje vou passar o natal com a Marinalda do 102.
– Legal!
–E você?
– Na minha casa, sozinho.
– Passa com a gente!!
– Não fui convidado.
– Não tem problema.
Laura liga pelo celular para Marinalda, que disse que seria ótimo recebê-lo. Pedro rapidamente compra duas garrafas de vinho e um pote de sorvete.
APARTAMENTO 501
Pedro não para em casa e não possui vínculo com ninguém. Devido à profissão, matador de aluguel, é tão discreto que se torna quase imperceptível. “ Vou me mudar outra vez mesmo, não terá problema algum de eu ir à ceia. Nunca mais verei estas pessoas, inclusive Laura...”.
NA CEIA DE NATAL
No início, todos estão tímidos, mas depois a conversa fica animada. Sorriam espontaneamente, fazem até brincadeiras. Luca se emociona com o presente que a mãe lhe dá: um computador. – Esse natal foi o melhor de todos!!
Os vizinhos proseiam até o dia clarear.
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NESTA NOITE DE NATAL
Laura pediu à mãe, para passar o natal na casa da melhor amiga Luzia. A senhora consentiu. O pai de Laura havia morrido e elas não estavam com clima de Natal. Queria que a filha se distraísse um pouco.
Laura era uma linda moça de dezoito anos. O pai de Luzia a olhava com um certo interesse e a moça o achava um homem charmoso.
A mesa estava posta com requinte, tinham frutas, doces e muitas bebidas. O pai de Luzia bebia muito, não parava de olhar para amiga da filha. Laura se sentiu um pouco tonta, por causa do vinho e a presença do pai de Luzia. Pediu à amiga se podia descansar um pouco no quarto de hóspede.
Minutos depois, ela viu a porta se abrir. Pensou que fosse Luzia chamando-lhe. Porém era o pai de sua amiga, vestido de papai Noel. Não teve vontade de gritar e nem sair do quarto; ficou parada ali. O homem fechou a porta com a tranca e foi em sua direção. Ela instintivamente abriu as pernas e se deitou na cama. Não tinha medo.
O pai da amiga se sentou. Disse bem baixinho: – Não grite. Você é linda.
O homem começou alisar suas pernas. A moça gemeu, porém a música estava tão alta que abafava qualquer ruído. Ele parou de tocá-la e abaixou a calça vermelha de papai Noel. Insinuou com olhares, para Laura tocar seu sexo. Ela o obedecia sem pestanejar.
Quando deu meia-noite, todos começaram a festejar. Nesse mesmo tempo, Antônia e o pai de sua colega gozaram.
Minutos depois, o homem foi embora e ela saiu em seguida. Foi para casa. Quis esquecer o que aconteceu nesta noite de natal.
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Dudu Oliva
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DÁ-LHE, NOEL!
“Aqui no Maranhão Papai Noel não tem um saco. Tem fardo pra carregar”.
Zé Neves, do Retiro Natal, São Luís - MA.
Charles Dias
Todo final de ano vejo, publicadas nos jornais, as indefectíveis listas dos maiores, melhores, mais elegantes, mais atuantes, mais isso, mais aquilo, etc. e tal, de várias categorias e dos muitos segmentos de nossa sociedade.
Vejo, também, logo depois das festas ao Bom Velhinho, as listas das realizações do ano que entra. Como a minha única promessa para 2007 é ler toda a obra de José Ribamar de Araújo Costa, o Sir Ney, dou por dito minhas intenções e não se fala mais nisso.
Vou, nesse ano, dar uma ajuda para o Rufião de Rena no que toca aos presentes para nosso colegiado de políticos.
Como esse escriba passou o ano (e tende a passar outros, se é que a antiga musa na cesse seu canto!) enchendo o saco dos senhores ditos homens públicos e de quantos achava que mereciam reprimendas aos seus comportamentos e não quer fazer injustiças com esses briosos senhores, acha-se na obrigação de, como sugestão ao bom velhinho, fazer uma lista dos presentes os quais eles merecem. Sintam-se então, senhores, homenageados nesta lista.
Hierarquicamente começarei por mim, que me acho superior a tudo que me é inferior. Peço que me mande mais um lote de compreensão, amor, saúde e capacidade de trabalho, para que possa suportar o peso dessa luta contra a tirania e a corrupção que assola nosso pobre país.
Meu pedido feito passo à lista propriamente dita.
Ao Papai Noel (doravante PN) peço que não mexa com o nosso presidente. Deixe-o onde está. Vai que numa displicência papainoelina o Maioral seja colocado no saco e entregue a alguma criança que tenha pedido um fantoche... Mesmo assim, se insistir em dar-lhe alguma coisa material que lhe dê uma carruagem, um manto, uma coroa e uma guarda real. São com esses apetrechos que as rainhas modernas governam. Outra sugestão seria um ministério forte que não o ponha contra a parede à simples manifestação de ministros. Ilumine-o somente para que tire o Gil da Cultura. Nem a desculpa de ser baiano cola mais.
Ao senhor José Sarney seria de bom alvitre presenteá-lo com uma nova oposição. A que lhe usurpou o poder no Maranhão precisa provar se realmente será melhor que ele. Essa pteropositrópode que aí está foi cria dele. Não é novidade nenhuma e não lhe faz a menor cócega na sua “carreira” política, que terminará no mais completo céu de brigadeiro. Continuará mais preocupado em manipular o fantoche barbudo. Juntamente com o “paizinho” dos baianos, o ACM, ao qual, sugerimos trazer os mesmos presentes pois são conservadores do mesmo saco.
Para nossa oposição sugiro um novo Maranhão. Talvez um pouco mais longe dos tentáculos de Dom Bigodon. Eles mesmos me influenciaram na pedida pois apregoam que “outro Maranhão é possível”.
E, pra não dizer que acabou o papel, não faz mal, limpa com jornal, etc. e tal, para aquela parte da imprensa, subserviente aos mandatários de plantão, uma carga completa de seu trenó de muito profissionalismo, muita isenção e muita imparcialidade. Se possível com uma entrega antecipada de umas amostras desses presentes, visto que muitos não conhecem o produto e podem se assustar.
Agora, um pedido todo especial para os nossos abnegados deputados estaduais: toneladas e mais toneladas de ungüento para massagearem as suas colunas. O ano que passou foi, e o que virá será, de muito “sim senhor”, muito “tem razão”, “votarei, sim”, etc... Tudo acompanhado de flexão da coluna cervical. Haja ungüento.
Desejo, do mais profundo do meu coração, que no próximo ano não tenha que repetir essa lista. Com todo o “otimismo” que me é peculiar e antevendo um ano de acomodações políticas, acho isso difícil. Cabe-nos, como cidadãos, dizer: basta! Mostrar que ainda temos hombridade e amor próprio e que nós podemos mudar nossos destinos. É só seguir nossas consciências.
E-mail: fcharlesfarias@yahoo.com.br
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