Nota do Editor: Muitos dos comentaristas deste Portal foram convidados para enunciarem seus pensamentos e idéias sobre o Natal, sobre o ano de 2006, sem pautas prévias, mas de forma livre e espontânea, como sempre acontece por aqui. O resultado foi ótimo.
Vamos mostrá-los em duplas.
Agora é a vez de
CARLOS NINA & ELSON BURITY
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Convidado Especial:
NATAL E CIDADANIA
Carlos Nina
(*)Ex-presidente da OAB-MA e advogado.
A Empresa de Correios e Telégrafos tem prestado um bom serviço no
Natal. Faz a intermediação da doação de presentes a crianças carentes. Pena
que essa intermediação se restrinja ao Natal. Mas já é alguma coisa. Uma
grande ajuda. Gestos como esse, porém, apesar da grandeza que os deve ter
movido, não são suficientes para me convencer de que o Natal mudou. Se
mudou, com certeza não foi para melhor. Continuo pensando a mesma coisa
sobre o Natal.
Acredito que algumas pessoas, quando dizem Feliz Natal, estão sinceramente
querendo que os destinatários de sua mensagem tenham um Natal feliz. É
possível um Natal feliz?
Não cabe aqui analisar o que é felicidade, mas, independentemente do
conceito ou das definições que se dêem ao termo, cabem alguns
questionamentos que cada um poderia fazer a si mesmo, a exemplo dos
seguintes:
Será possível um Feliz Natal sabendo-se que crianças morrem
diariamente por desnutrição e que outras tantas vivem abandonadas pelas ruas
das cidades, cheirando cola para enganar a fome? Que outro tanto é explorado
pelos próprios pais que, desempregados, mandam seus filhos para as ruas
esmolar e até prostituir-se para ganhar uns trocados?
Será possível um Feliz Natal se crianças, idosos, deficientes
abandonados não encontram um lugar decente que os abrigue para lhes
propiciar atenção, respeito, dignidade? Se milhares de pessoas pobres e
doentes que procuram socorro morrerão sem assistência ou serão torturadas
pela omissão do Estado porque não têm condições financeiras, nem econômicas
para serem atendidas por estabelecimentos particulares e os estabelecimentos
de saúde da rede pública são precários, deficientes e caóticos?
Será possível um Feliz Natal se você não tem sequer segurança para
andar nas ruas, nelas trafegando sempre com medo de ser assaltado, agredido
ou atropelado? Se você tem de cercar sua casa com muros altos, grades e
portas de ferro, cadeados, cerca elétrica, sensor eletrônico, cachorro
agressivo e vigias para se proteger da mesma violência que o assusta na rua?
Será possível um Feliz Natal sabendo que você está comprando sua
ceia e seus presentes com o dinheiro suado de seu trabalho e os corruptos
estão à solta esbanjando criminosamente o dinheiro que roubam dos cofres
públicos e que deveria ser usado para solucionar todos os problemas acima
referidos?
Será possível um Feliz Natal se os cretinos que roubam os cofres públicos
ainda têm a coragem de invadir suas casas pelas telas da televisão para
desejar-lhe Feliz Natal?
Se você acha que sim, então parabéns. Você é um felizardo. Nem
precisa que lhe desejem um Feliz Natal. Você o teria do mesmo jeito. Se você
acha que não, mas quer um Natal menos infeliz, em 2007, comece a fazer
alguma coisa para mudar essa realidade. Quando sair da Missa do Galo e de
todas as outras missas ou dos cultos diferentes que professar, ou de
qualquer outro lugar onde você foi pedir bênçãos, favores, graças e milagres
a Deus, ou simplesmente foi dizer a Ele que é um(a) santo(a), crente, devoto
(a), merecedor(a) da proteção divina, não fique indiferente à miséria que se
espraia. Não pense, porém, que dando um trocado você terá cumprido sua
parte. Não terá. Assuma sua cidadania. Cidadania não são só direitos; são
deveres, também.
Para que se tenha um Natal feliz, é preciso que aquele cumprimento de Feliz
Natal seja mais que duas palavras vazias, sem sentido, trocadas educadamente
entre pessoas que se encontram nas lojas comprando presentes, nos
supermercados enchendo sacolas para as ceias fartas, ou se cumprimentam ao
redor de árvores de Natal abarrotadas de presentes.
Não se pode mais ver o Natal apenas como uma festa de família, ignorando os
sem-família. Não é esse o espírito do Natal. A finalidade do Natal não é
desejar apenas a quem tem posses um feliz Natal, mas, principalmente,
procurar diminuir a miséria do Natal dos necessitados, dos desamparados,
cuja situação humilhante de miséria e pobreza é exacerbada pela
mercantilização do Natal. Época que tem até propiciado gestos crescentes de
inesperada caridade, tamanha é a miséria exposta pelo confronto da
extravagância com a necessidade, sacudindo corações. Isso não compensa nem
redime a omissão pós-natalina.
Portanto, para ser sincero, é melhor que você nem pronuncie a expressão
vazia de Feliz Natal, se você não contribuiu para melhorar o de ninguém.
Para que os outros tenham de fato um Natal feliz você tem de dar sua
contribuição, de participar, de ser cidadão na plenitude e não apenas na
fachada para tentar, com pieguices, enganar Deus.
Assim, talvez no Natal do próximo ano você até conclua que é impossível um
Natal feliz, mas certamente sentir-se-á melhor por ter contribuído para
combater as desigualdades e injustiças que produzem a infelicidade dos
natais de milhões de crianças que não tiveram, não têm e nem terão sequer um
pedaço de pão para aliviar a fome que os fará sofrer ou os matará.
E você, leitor, o que fará sobre isso até o próximo Natal?
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Convidado Especial:
Um domingo vermelho. Mas Vermelha e Branca também são cores do Natal
Elson de Azevedo Burity
(*)Ex-Capitão dos Portos (MA), Engenheiro, Militar Aposentado e presidente da ONG “Clube do Caminhar”.
A semana que iniciou no dia 10 de Dezembro não tardaria em revelar uma série de acontecimentos que variaram do trágico ao feliz fim de festa.
Na madrugada do dia 11, após um assalto na cidade de Bragança Paulista, há 83 quilômetros de São Paulo, um casal morreu carbonizado dentro de seu próprio carro juntamente com seu filho de apenas 5 anos, após serem obrigados por facínoras desumanos a entregar a quantia de R$ 20.000,00.
Dando continuidade aos absurdos acontecimentos da semana, os nossos representantes na Câmara Federal em Brasília arvoraram-se no direito de merecer um aumento remuneratório de 90,7%, ignorando o índice da inflação de 28,4% no mesmo período. Considerando-se o aumento ocorrido no salário mínimo, nos vencimentos dos funcionários públicos em geral, aposentados, pensionistas, militares e trabalhadores em geral, chegamos à conclusão que um grande absurdo foi cometido em nome da democracia e do povo brasileiro. Portanto, é chegada a hora da mobilização popular contrária a tamanho desmando. Que os trabalhadores, sindicatos, professores, estudantes, CNBB, aposentados, funcionários públicos, OAB, órgãos representativos de classes patronais e de empregados, mobilizem-se para reverter tal quadro de imoralidade salarial; principalmente ao considerarmos que esta legislatura foi a mais vergonhosa havida neste país, provavelmente, em toda sua história republicana. Ainda não esquecemos os recentes casos do mensalão, dossiê, dólares na mala e na cueca, sanguessugas e os acordões da impunidade.
Não deixando de citar a outrora Cidade Maravilhosa, o Rio de Janeiro, despertamos na sexta-feira, dia 15, com uma operação desencadeada pela Polícia Federal (Operação Tingüi), quando foram detidos 76 soldados e sargentos da polícia militar e um tenente, envolvidos na guerra do narcotráfico: tal operação foi considerada como a maior contra policiais nos 197 anos de existência da corporação (que vergonha!). Mas as novidades não pararam por aí, quando mais tarde numa outra operação (Gladiador) a Polícia Federal iria cumprir 45 mandatos de prisão, agora direcionados para os barões das máquinas caça-níqueis. Para espanto geral o peixe graúdo era o ex-chefe da Polícia Civil do Rio, delegado Álvaro Lins e alguns de seus antigos assessores. Imaginem a surpresa: ex-homem forte do governo Rosinha Garotinho, ex-chefe da Polícia Civil do estado, eleito deputado estadual e agora investigado pela Polícia Federal! Tais fatos por si demonstram que muita coisa tem que mudar na estrutura administrativa, política e institucional deste país.
Bem, mas deixando de lado tanta desgraça, roubalheira e decepção, amanhecemos o domingo com uma inédita disputa futebolística entre o Internacional de Porto Alegre e o Barcelona de Ronaldinho, Deco e Cia. Seria a exibição da máquina de fazer gol do time Catalão contra um Inter sem tradição em torneio daquele porte. Mal começou o jogo e sentíamos que o time espanhol não estava tão à vontade como nos jogos anteriores, quando até goleava seus adversários. O próprio Ronaldinho não conseguia armar suas jogadas e a equipe brasileira tinha dificuldades em penetrar na defesa adversária. Ao terminar o 1º tempo em zero a zero sentíamos que alguma surpresa poderia acontecer na etapa suplementar e eis que numa rápida jogada o veterano Iarley lançou o desacreditado Adriano que marcaria o gol da vitória. No finalzinho o maranhense Clemer ainda salvaria o Inter de gol certo, em chutes do Deco e Iniesta. Com o oitavo campeonato conquistado, o Brasil igualou-se à Argentina e hoje são os dois países que mais troféus possuem daquele importante torneio mundial.
Assim, ao findar tão trágica semana para o noticiário brasileiro, felizmente fomos brindados com uma excelente prova de determinação e superação dos nossos brilhantes jogadores brasileiros.
Ao aproveitar esta oportunidade ímpar de dirigir-me aos leitores do
Portal Mhário Lincoln do Brasil gostaria de desejar a todos os melhores votos de um 2007 e que seja bem melhor do que tivemos em 2006. E parodiando o grande astronauta soviético Yuri Gagarin e homenageando o Internacional, diria: a terra não é azul. Neste momento ela é vermelha, da cor do sangue e do coração!
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