Nota do Editor:
Conhecido no nível internacional por sua luta pelo meio-ambiente, o jornalista
SILVESTRE GORGULHO tem recebido inúmeros elogios mundiais pelo que faz. Hoje, editor-chefe do jornal
FOLHA DO MEIO AMBIENTE,(http://
www.folhadomeio.com.br/publix/fma/folha/2006/12/) e com larga experiência na imprensa brasileira, tem conseguido traçar consciência pública favorável à problemática dos ecossistemas e a traçar rumos de discussões acerca da qualidade de vida e da preservação da natureza, nacionais.
Nosso Conselho Editorial acaba de conceder-lhe o prêmio
SOLIDARIEDADE BRASILEIRA/MEIO-AMBIENTE/2006 por essa incansável luta.
Conheça agora o perfil do novo colunista e novo agraciado do PORTAL MHÁRIO LINCOLN DO BRASIL.

(Aqui, Gorgulho com o grande Oscar Niemeyer)
O jornalista SILVESTRE GORGULHO (56) é formado em Comunicação Social pela Universidade Federal de Minas Gerais - UFMG, em 1972. Foi professor- visitante (1981-1982) na University of Minesota (EUA) e antes de criar seu próprio jornal, a Folha do Meio Ambiente, em 1989, foi repórter do Diário do Comércio (Belo Horizonte); redator das revistas VEJA, QUATRO RODAS e ESCOLA, da Editora Abril, em Belo Horizonte; e colunista do JORNAL DE BRASÍLIA por 10 anos.
Em seu blog (www.gorgulho.com) ele conta a seguinte história:
"A vida ensina sempre. Uma das coisas que aprendi nestes meus 35 anos de jornalismo é que só a saudade faz a gente parar no tempo. Quando, em 12 de dezembro de 2002, faleceu o indianista Orlando Villas-Boas, voltei ao dia 23 de dezembro de 1972. Nesse dia me formei em Jornalismo pela Universidade Federal de Minas Gerais. Os irmãos Villas-Boas, representado por Orlando, foram os paraninfos de minha turma. Orlando tinha acabado de chegar das margens do rio Peixoto, onde contactava os Krenhacãrore. Ele pegou uma kombi em São Paulo e foi para Belo Horizonte paraninfar a turma de Comunicação da UFMG. Por três dias ficou hospedado na minha "república" no 32ª andar do edifício JK, na praça Raul Soares.
Na véspera da formatura, meus 29 colegas e eu tivemos uma verdadeira Aula Magna de Brasil. Foi a mais importante aula dos meus quatro anos de universidade. Foi a aula que direcionou meu caminhar profissional: o jornalismo de meio ambiente. Éramos 30 formandos que, na véspera da grande festa, sentamos no chão do meu apartamento, em círculo como nas tribos, para embevecidos escutar Orlando Villas-Boas falar de florestas, de índios, de brancos, de rios, de matas e de bichos.
Sua primeira lição foi, para mim, ex-seminarista, um susto:
"Desde o Descobrimento o homem branco destrói a cultura indígena. Primeiro para salvar sua alma, depois para roubar sua terra".
Depois vieram as perguntas para matar nossas curiosidades. Suas respostas doces, duras e definitivas vinham enriquecidas pela vasta vivência de décadas na Amazônia, como último dos pioneiros da saga da expedição Roncador/Xingu. Ouvíamos com máxima atenção:
"Foram os índios que nos deram um continente para que o tornássemos uma Nação. Temos para com os índios uma dívida que não está sendo paga. O índio só pode sobreviver dentro de sua própria cultura".
Para os índios, Orlando se juntou aos seus irmãos aventureiros Leonardo, Álvaro e Cláudio e viraram lenda. Habitam, hoje, o Sol e o Trovão. Para nós brancos, eles deixam uma lição de vida e de coragem.
Das lições daquele dezembro de 1972, uma eu guardo com especial carinho, pois nela está contido o segredo da harmonia.
“Em vez de querer ensinar aos índios, o homem branco deveria ter a humildade para aprender com eles que o velho é o dono da história, o homem é o dono da aldeia e a criança é a dona do mundo".
De meu paraninfo guardei lições valiosas que orientam minha vida pessoal e profissional. O verdadeiro Brasil foi-me apresentado por Orlando Villas-Boas. Ele me ensinou a ser brasileiro. Nos meus 35 anos de jornalismo, não faço outra coisa. Já trabalhei no Diário do Comércio (Belo Horizonte), na revista VEJA, na Comissão de Desenvolvimento do Vale do Jequitinhonha, no Ministério da Agricultura, na Embrapa, no Jornal de Brasília, no Governo do Distrito Federal, no Ministério da Indústria e Comércio, na Presidência da República e, em 1989, resolvi fazer a Folha do Meio Ambiente.
Por onde passei e por onde ainda hei de passar, nunca vou esquecer das velhas lições de meu paraninfo. Meu lema de vida continua sendo o dele: para a criança ser a dona do mundo, nós temos que ter muita garra, ser audaciosos, humildes e aventureiros. Tudo para defender nossas culturas, conservar nossa biodiversidade, preservar nossas florestas, proteger nossos rios e contactar, sempre, em nome da paz".
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Seja bem-vindo ao portal Silvestre Gorgulho. Logo vamos remeter o Diploma
SOLIDARIEDADE BRASILEIRA/ MEIO-AMBIENTE/2006.
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A SEGUIR, o primeiro texto de Silvestre Gorgulho que, de forma espontânea e amiga, aceitou integrar a lista de colaborarores/colunistas deste Portal:
AL GORE, MENSAGEIRO DA AGONIA
A mensagem do filme e o livro "Uma Verdade Inconveniente" está mexendo com a consciência das pessoas. Al Gore pode ter perdido as eleições nos EUA, mas como jornalista e político fez seu melhor trabalho.
Silvestre Gorgulho, de Brasília.
Os Estados Unidos são muito mais do que um país. Os EUA são metade do mundo. Em produção e consumo. Os EUA significam força, democracia, poder, liberdade e progresso. Derrotou o fascismo, o comunismo, revolucionou a economia e a medicina. Inventou a bomba atômica, colocou o homem na Lua, uma nave em Marte e é o senhor absoluta da guerra e da paz. Mas tantas conquistas tiveram um preço: suas intervenções na natureza para satisfazer sua população e seu gigantismo alteraram profundamente a vida no planeta. Apenas os Estados Unidos são culpados por tantos impactos ambientais no mundo? Não! Por ser o mais poderoso e a maior economia mundial, os Estados Unidos são apenas os mais responsáveis. Mas, os Estados Unidos são um país tão fantástico que produziu também o messias e, hoje, a maior liderança contra os males ambientais que afligem o planeta: o ex-senador, ex-vice de Bill Clinton e candidato derrotado por Bush na polêmica eleição de 2001, o democrata Al Gore. O filme e o livro "An Inconvenient Truth" - Uma Verdade Inconveniente - ressuscitou politicamente Al Gore, que assumiu com todos os riscos a missão de salvar a Terra. Hoje, Albert Arnold Gore Jr é a peça fundamental que pode fazer seu país passar de vilão a herói, desde que seus 300 mil compatriotas façam a lição de casa e reconheçam, definitivamente, verdades inconvenientes: a poluição, o desperdício e o aquecimento global são os maiores inimigos da humanidade.
O FILME - Ao contrário do filme Um Dia Depois de Amanhã (R. Emmerich/2004) Uma Verdade Inconveniente não é ficção. Não tem efeitos especiais. As pesquisas, as histórias e as cenas são reais. O filme, poderia dizer, é uma palestra com todos os recursos da informática. É um power point já indicado para vários prêmios cinematográficos. Extremamente didático, o filme motiva e deixa lições importantes. É um curso intensivo de educação ambiental. Al Gore fez o filme em parceria com Lawrence Bender, produtor de quase todos os filmes de Quentin Tarantino, como "Cães Danados", "Pulp Fiction" e "Kill Bill". A direção é de Davis Guggenheim.
O livro, lançado uma semana depois do filme, já está entre os mais vendidos no mundo, no item não-ficção. O filme-documentário dura 1h40m, prende a atenção e deixa uma mensagem ambientalista na cabeça de todos expectadores. Basta ir com o espírito de assistir a uma aula ou a uma palestra de alto nível. Tem muita gente que leva até bloquinhos de papel para tomar nota. O filme de Al Gore já está na lista das 15 obras pré-selecionadas pela Academia de Hollywood para o Oscar.
AL GORE - Dois personagens importantes na vida de Al Gore. Primeiro seu pai, Albert Gore, que foi senador e o introduziu na política. Depois seu filho, Albert III, que sofreu um acidente aos seis anos, em 1989, e ficou entre a vida e a morte. O atropelamento do filho mexeu com sua cabeça. A partir daí, nasceu sua porção humanista, no sentido de cuidar mais da família, das futuras gerações e das causas ambientais. Sobretudo inverter o processo acelerado de aquecimento global.
Vida política - A vida política do pai influenciou o filho. Al Gore foi candidato e eleito para deputado aos 28 anos. Ocupou a cadeira no Congresso até 1984, quando foi eleito senador. Chegou a concorrer, em 1988, às primárias pelo partido Democrata. Perdeu para Michael Dukakis. Mas os Republicanos ganharam de forma arrasadora com a reeleição de Ronald Reagan. Ficou senador até ser convidado por Bill Clinton para ser seu vice-presidente.
Participou, como senador, da RIO-92, a Conferência da ONU para o Desenvolvimento Sustentável, no Rio de Janeiro, em 1992, quando criticou duramente a administração de George Bush - o pai - por não ter conseguido colocar os EUA na liderança das causas ambientais, por não ter assinado o Tratado da Biodiversidade e, pior, por lutar ativamente contra os avanços ambientais. Tudo isto está no seu primeiro livro A Terra à Procura de Equilíbrio: "... o que desapontou a atuação do presidente Bush no Rio de Janeiro foi que ele não conseguiu reconhecer este grande desafio moral e ficou surdo perante o grito de ajuda que o mundo enviou aos Estados Unidos".
Day after - Qual será o "day after" do filme Uma Verdade Inconveniente? A primeira consequência: na visão de muitos cientistas, ambientalistas e de grande parte da população estadunidense é que na eleição e reeleição Bush (2001 e 2006) o grande derrotado foi o planeta. E não foi porque até hoje os EUA não assinaram o Protocolo de Kioto. Foi porque a administração Bush só valorizou o comércio e a indústria, sobretudo de petróleo e a guerra. E acabou com vários compromissos ambientais.
O fato de 221 cidades de 39 Estados dos EUA terem assumido por conta própria medidas para redução das emissões de gases de estufa e o país até hoje não ter assinado o Protocolo de Kioto é algo que incomoda a consciência de grande parte da população. Os EUA hoje contribuem com 30% das emissões globais de dióxido de carbono.
Analistas políticos especulam que, mesmo se dizendo longe da política partidária ativa (para Gore a salvação do planeta não é uma questão política, mas moral), o impacto do filme e do livro podem provocar sua "ressurreição". A pregação pela salvação do planeta, com duras críticas ao seu país, pode provocar um efeito reverso que acabaria por levá-lo à Casa Branca. A última mensagem do filme é messiânica: se você acredita em oração, reze para que os países, os líderes e os homens tenham coragem de mudar. Mas, enquanto reza, faça alguma coisa.
Em tempo: Todo o lucro do filme e do livro serão destinados ao treinamento de pessoas, em diversos países, para divulgar a mensagem de angústia: o caminho da salvação é o desafio de lutar pela defesa do meio ambiente. A humanidade mostrou que é capaz e já venceu outros desafios. Para Al Gore, hoje, nenhum desafio é tão forte, nenhuma causa é mais urgente e nada é mais improrrogável do que preservar os ecossistemas e proteger o planeta. O que está em jogo é a própria sobrevivência da espécie humana.
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