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Editor-Chefe

  • Mhário LincolnÉ editor-chefe do Portal MLB, jornalista e advogado. Livros publicados nas duas áreas. Durante 35 anos trabalhou no jornalismo impresso, no rádio e na TV.

Conheça O Artista!

Articulistas

  • Aleksandra CaldasAdvogada e especialista em Direito de Família, Direito Eleitoral e Cível. Analista jurídica com trabalhos publicados nacionalmente.
  • Alessandra Leles RochaÉ natural de Uberlândia, Minas Gerais, onde se graduou Bacharel em Ciências Biológicas (2000) e Mestre em Geografia / Área de Concentração: Análise, Planejamento e Gestão Sócio-Ambiental (2003), pela Universidade Federal (UFU).
  • Antonio Baptista GonçalvesAdvogado do escritório Gonçalves Advogados Associados, em São Paulo. Bacharel em direito pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e pós-graduado em direito penal econômico na FGV, é também membro do Instituto Brasileiro de Ciências Criminais - IBCCRIM e da Associação Internacional de Direito Penal - AIDP.
  • Carlos NinaIrrepreensível em seu texto, polêmico em suas idéias. Ex-presidente da OAB-MA e ex-Juiz de Direito. Tem inúmeros livros e trabalhos publicados.
  • César MaiaPrefeito do Rio de Janeiro.
  • Edomir Martins de OliveiraAdvogado, integra a nova gestão da OAB-MA, escritor e Professor Catedrático aposentado. (UFMA). Livros publicados.
  • Eduardo SpockEmpresário, brasileiro ligado aos movimentos culturais nos Estados Unidos e em outros países. Vídeo-man, acompanha de perto eventos e comanda carvanas turísticas, mostrando pontos interessantes e exóticos do Globo. Conhece 37 países. Escreve neste Portal sobre pessoas, lugares, comidas, vinhos e cervejas, história, geografia e politica.
  • Elvandro BurityPoeta, escritor carioca articulista literário, com 30 obras publicadas. Integra várias instituições literárias nacionais e internacionais. É Secretário-Geral do InBrasCI.
  • Fátima de OliveiraMédica, feminista, escritora, uma das 52 brasileiras indicadas ao Nobel da Paz 2005. Autora de 8 livros e inúmeros artigos publicados. Articulista do jornal O Tempo, BH, MG, e do Portal Mhário Lincoln do Brasil.
  • Francisco SimeãoPresidente da BS Colway Pneus e da Abip – Associação Brasileira da Indústria de Pneus Remoldados.
  • Humberto AzevedoJornalista, Especialista em Crítica Política e Midiática. Informação Privilegiada. Direto do Congresso Nacional. Opinião Pessoal e Intransferível.
  • João Batista do LagoArticulista e analista político, poeta e escritor, foi editor de vários jornais e tem livros publicados.
  • Jorge SerrãoJornalista polêmico, discutido em vários cantos do País. Seus textos são provocativos e fortes. É escritor e radialista carioca, editor-chefe do ALERTA TOTAL.
  • Keila ChinagliaAdministradora Hospitalar, especialista em Administração Hospitalar e Serviços de Saúde. Coordenadora do projeto S. Francisco Instituto Vida em Cambé-PR.
  • Lúcia CasilloJornalista, Editora Internacional de Arte e Cultura e Diretora do Solar do Rosário (Curitiba/Paraná)
  • Lúcia & DouglasGente pequena - Coluna que defende igualdade entre os portadores de Nanismo. Consultores/colaboradores: Casal Rankbrasil
  • Marcelo SguassabiaRedator publicitário em Campinas-SP, beatlemaníaco empedernido e adora livros e filmes que tratem sobre viagens no tempo. Tem colunas fixas em um jornal impresso e em vários portais e revistas eletrônicas, dentre elas a Revista Paradoxo, o Comunique-se e dois blogs.
  • Márfio LimaSindicalista, presidente da Força Sindical/MA e faz de suas idéias uma bandeira de Justiça. É acadêmico de Direito e formado em Gestão de Recursos Humanos e Políticas Públicas.
  • Maria Berenice DiasIntegra o Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul, tendo sido a primeira mulher a ingressar na magistratura gaúcha. É um dos grandes destaques da Magistratura Brasileira.
  • Mário Márcio de SouzaÉ Juiz de Direito. Escritor com trabalhos jurídicos publicados. É analísta jurídico e escreve sobre justiça social e análises legais. Está no Portal desde 2006.
  • Osvaldo RochaAdvogado, escritor, várias obras publicadas. É ligado ao Rotary e à Maçonaria. Escreve em vários jornais. Tem site oficial na net. É medalhista das Forças Armadas.
  • Otília MartelEscritora e poeta portuguesa. Vem colaborando com o portal desde 2006. Premiada em sua terra, tem recebido milhares de elogios por seus textos. Tem sítio próprio.
  • Rafael GrecaEx-Ministro do Turismo, atualmente é presidente da Companhia de Habitação do Estado do Paraná. Escritor, poeta e analista político. Premiado internacionalmente.
  • Raul PlassmannCampeão do Mundo interclubes. Comentarista esportivo (ex-Globo) e atualmente na RECORD. Secretário do Esporte e Lazer de Curitiba (PR).
  • Rui MendesNosso correspondente em Portugal é analista de Internet, de onde retira pérolas para publicação. Poeta e escritor.
  • Silvestre GorgulhoJornalista, editor-chefe do Jornal do Meio-Ambiente, atual Secretário de Cultura do Distrito Federal. Tem vários prêmios no currículo. Integrou equipes de jornais e revistas de grande circulação.
  • Soraya Fialho FelixPoeta e escritora maranhense, tem trabalhos publicados na Internet. O seu bom humor, às vezes trágico, lhe rendeu centenas de leitores aqui e no exterior.


24/12/06

COMEÇOU O NATAL MAIS LITERÁRIO DO BRASIL



Como são muitos, publicaremos em pares.
Aí estão: Alessandra Rocha & Lima Coelho.

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No compasso do relógio
Convidada Especial:
Alessandra Leles Rocha

Há exatos quatorze anos, quando cursava o último ano do ensino médio, ouvi inúmeras vezes, de meu professor de literatura a seguinte afirmação “cada minuto a mais é um minuto a menos.” Não sei por que, mas durante todos esses anos tal reflexão insistiu em povoar meus pensamentos; até que, diante das violentas perdas do cotidiano ela traduziu-se em forte sinal de alerta.
Desde crianças somos doutrinados por uma sabedoria que afasta de nossas mentes qualquer hipótese diferente do sucesso, da vitória, da vitalidade física e mental; e, diante disso negligenciamos e postergamos nossa vida como quem escreve um rascunho de uma carta para depois passá-la a limpo. Mas, as coisas não são bem assim! Não se pode passar a vida a limpo! Cada dia é um, único, escrito com a força e a doçura, abuzando de todos os tons de uma aquarela, deixando às vezes saudade, em outras uma terrível vontade de esquecer para sempre; tal qual, se nunca fora vivido.
E no meio desse caminho, permeado de altos e baixos, flores e espinhos, chuvas e sol, há uma infinidade de situações deixadas ali, apenas para nos desafiar e aguçar nosso caráter, a fim de torná-lo verdadeiramente mais humano e sensível, diante desse grande presente chamado vida. De repente é a morte a nos buscar rumo a uma nova experiência evolutiva, ou uma grave doença que nos dará a oportunidade de cultivar a solidariedade, a abnegação ou a humildade. Em alguns casos, nem seremos nós os diretamente expostos às pedras do trilheiro; mas, aqueles os quais queremos tão bem e são tão preciosos ao nosso bem-estar.
A vida não nos é ofertada com manuais de instrução e com certificado de garantia de muito sucesso e felicidade. Vivemos! Estamos sempre buscando fazer o melhor; pena, que na maioria das vezes, alheios a certeza de que “cada minuto a mais é um minuto a menos.” Por isso, não desperdice seus minutos construindo obstáculos fúteis e sem sentido. Despir-se dos preconceitos, dos falsos valores, da hipocrisia, de todos os seus receios é o primeiro passo para viver em paz, em harmonia consigo mesmo e com os outros. Também, é a alavanca para estruturar o amor, o amor de verdade, o único capaz de unir e transcender as diferenças.
Não viva do ontem, porque ele já foi, é página escrita e sem direito à reconstrução. Não viva do amanhã, porque ele é cheio de surpresas e depende, consideravelmente, das entrelinhas que você deixar no seu hoje. Portanto, o sentido da existência é viver o hoje com intensidade, responsabilidade, alegria, fé, consciência e amor, para no final do seu dia saber que seus mil quatrocentos e quarenta minutos a menos contribuíram de fato na edificação de um indivíduo melhor, agente e paciente de boas e valiosas lições do bem, um digno representante da raça humana.
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Convidado Especial:
Poeta CARLOS ALBERTO LIMA COELHO.
Oi Mhario,
Serei eternamente grato a você pelo que tem acontecido no Portal, em relação ao meu trabalho. Emociona-me ver toda essa discussão e comparação com o nosso grande Gonçalves Dias. Quem sou eu! Aproveito para desejar-lhe um Feliz Natal e Próspero Ano Novo, extensivo à sua família e amigos, através de uma poesia inédita. Esse Portal é "bento":
Continuar lendo...

09/11/06

O duelo dos grandes ditadores

Por Alessandra Leles Rocha


Em tempos de guerra não se destaca vencedores ou perdedores, a sociedade
vive nivelada pelo poder da tirania e do terror. Todos, sem distinção,
subjugados ao medo, a intolerância, a ausência de perspectivas.
Então, como aceitar o julgamento de Saddam Hussein1 da forma na qual vem
sendo realizado, se em termos de atrocidades os governos norte-americanos
não fizeram por menos, quando em suas investidas militares pelo mundo? Ambos
se igualam ao mesmo grau de culpa e condenação! Dois grandes ditadores em
lados opostos de uma mesma questão.
Mas, enquanto delira na sua sede de poder, o ditador americano explode pelos
ares milhares de vidas pelo Oriente Médio, fomenta a discórdia entre judeus
e palestinos, ergue a ira do Irã, vai de grão em grão fazendo a alegria de
sua indústria de guerra. E o famigerado bin Laden2, a nitroglicerina pura
que abalou a paz mundial com o fatídico episódio do 11 de setembro, segue
desaparecido mundo afora, vez por outra, divulgando pela TV Al Jazira novas
ameaças. É! Se verdade ou não, o fato polemiza pela consciência plena de que
seguidores espalhados em todos os cantos não lhe faltam.
Vê-se, portanto, que tamanha atmosfera hostil não tem nem sombra de
dissipação. Estão querendo é sangue; muito sangue! A busca por essa
carnificina já extrapolou o desvario do poder e da ganância, e está beirando
as raias da insanidade. Desapareceu por completo o discernimento entre o
certo e o errado, o bem e o mal; todos querem ganhar, mas ninguém aceita
perder o que quer que seja.
Infelizmente, são esses os exemplos a serem compartilhados com a atual
geração, os quais deixarão marcas também nas futuras. Se os resultados
dessas lições serão bons ou ruins, só o tempo responderá. O fato é que, no
desenrolar dessa triste história vão se perdendo tempo, vidas e recursos
capazes de edificar o melhor para o planeta. Assina-se com o próprio sangue
de inocentes a sentença de morte da raça humana e, assim, todo o poder e
todo o dinheiro um dia ansiado restará para o nada, perecerão inertes entre
os escombros daquela que poderia ter sido uma grande sociedade.

________________________________________
1 Saddam Hussein. (http://pt.wikipedia.org/wiki/Saddam_Hussein)
2 Osama bin Laden. (http://pt.wikipedia.org/wiki/Osama_bin_Laden)

Alessandra Leles Rocha
Publicação: www.paralerepensar.com.br 08/11/2006

27/10/06

A ÚLTIMA ESCALADA DA METAMORFOSE

Por Alessandra Leles Rocha


Fogem a minha compreensão atitudes como a que presenciei, no último sábado, dentro de uma agência dos Correios e Telégrafos. Enquanto aguardávamos o atendimento, duas senhoras bem idosas adentraram ao recinto e foram motivo de chacota e preconceito, por parte de uma família – pai, mãe e dois filhos adolescentes – que também se encontravam no local.
Como dizia minha saudosa bisavó, D. Julieta, do alto de sua sabedoria, “quem não quiser ficar velho, que morra cedo”. É! Zombar da velhice é zombar da própria vida! Tudo o que nasce tende um dia a se tornar velho; mas, nem por isso, menos importante, sem valor. Alcançar a glória da maturidade vital é o grande presente da Criação. Trata-se de passar por todos os caminhos armazenando experiências, praticando com alegria ou, às vezes, certa tristeza as lições da vida, descobrindo diariamente as próprias potencialidades que só o tempo se encarrega de evidenciar. Se viver é estar em franca metamorfose, por que desconsiderar a velhice, uma etapa tão bela, significativa e produtiva? Em pleno século XXI, não estamos aprendendo a valorizar a reciclagem de materiais, a customizar antigos objetos do nosso dia-a-dia para dar-lhes uma nova perspectiva de inserção no mundo moderno? Então, onde está a dificuldade de aceitar o idoso na sociedade, abrindo-lhe espaço para realizar, viver e sonhar dentro dos seus próprios limites?
Debochar das rugas, do corpo encurvado, dos cabelos brancos, de gestos lentos e frágeis é muita arrogância, porque em qualquer idade estamos sujeitos às inúmeras limitações da vida (acidentes, doenças degenerativas, distúrbios psicológicos etc.) e poderemos nos tornar motivo de deboche maior ou pior. Nenhum indivíduo, em nenhuma idade, merece ser visto apenas em sua “casca”. O que faz toda a diferença, por todo o tempo e o espaço que percorremos neste planeta, é a alma. Ela é quem dita os nossos rumos e faz de tantos idosos, exemplos para uma juventude um tanto quanto perdida. De notáveis celebridades como Oscar Niemeyer1 – com 99 anos, ainda trabalha em importantes projetos de arquitetura pelo mundo – ou D. Maria Lenk2 – com quase 100 anos de vida continua participando de campeonatos de natação em sua categoria -, a tantos milhares de brasileiras e brasileiros, que não só administram sua própria vida, como ainda retornam ao mercado de trabalho para ajudar na sobrevivência da família, devemos as maisa sinceras e profundas reverências. Fernando Pessoa3 disse que "tudo vale a pena quando a alma não é pequena"; e quão imensa é a alma do idoso! Por isso, na cultura oriental eles têm um papel tão relevante e são tratados com tamanha deferência. Sua sapiência transmite os ensinamentos de geração em geração, renovando e fortalecendo as bases da milenar cultura.
Portanto, já basta toda a indiferença do Estado Brasileiro para com essa parcela da população, quando a submete as imensas filas da Previdência Social, a falta de atendimento médico com qualidade e eficiência, aos altos custos com medicamentos, a baixa remuneração da aposentadoria, enfim... para nos aliarmos como algozes “de meia pataca”! Respeito não é “caridade”, é obrigação! Cuidados são necessários a todo ser vivo!
Então, olhe-se no espelho, lembre-se de seus avós, bisavós, e o quanto suas presenças foram marcantes e significativas em sua vida! Agora, imagine-se daqui a alguns anos fazendo o mesmo por seus descendentes. Que a vida lhe sorria com essa bênção para você ter a devida dimensão do quanto é maravilhoso envelhecer, compreendendo de uma vez por todas, que sem a terceira idade a construção do futuro tornar-se-ia impossível. Quanto aos possíveis dissabores no convívio social que possam surgir nesse caminho, esteja certo não se tratar de exclusividade da velhice; pois, quando o mundo deseja ser desagradável e intolerante, ele o é com qualquer indivíduo, independente do credo, etnia ou faixa etária.
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1 Oscar Ribeiro de Almeida de Niemeyer Soares (Rio de Janeiro, 15 de dezembro de 1907) é um arquiteto brasileiro considerado um dos nomes mais influentes na Arquitetura Moderna internacional. Foi pioneiro na exploração das possibilidades construtivas e plásticas do concreto armado. (http://pt.wikipedia.org/wiki/Oscar_Niemeyer)

2 Maria Emma Hulda Lenk Zigler foi a primeira nadadora brasileira, e também de toda a América do Sul, a competir em uma Olimpíada. O feito aconteceu nos Jogos de 1932, disputados na cidade de Los Angeles, nos Estados Unidos.
3 Fernando António Nogueira Pessoa (Lisboa, 13 de Junho de 1888 — Lisboa, 30 de Novembro de 1935), mais conhecido como Fernando Pessoa, foi um poeta e escritor português.É considerado um dos maiores poetas de língua portuguesa tendo seu valor comparado ao de Camões. (http://pt.wikipedia.org/wiki/Fernando_Pessoa)

17/10/06

Por Alessandra Leles Rocha

Educação sem fronteiras

Por Alessandra Leles Rocha
Quem de nós não sabe até hoje, que uma semente para germinar e alcançar bons frutos depende de condições favoráveis, hein? Pois bem, esse princípio tão elementar também se aplica a outras situações, como por exemplo, a educação. Entretanto, ainda há pessoas com dificuldade de perceber ou compreender a necessidade de “cuidados” com essa área tão importante da vida de um ser humano.
Fala-se muito a respeito do descaso e da má qualidade do ensino no Brasil. Faltam vagas, recursos financeiros para investimentos, profissionais melhor capacitados, merenda em quantidade e qualidade satisfatória, enfim... o resultado final aponta sempre para uma realidade aquém do que se precisa e faz necessário para sermos um país de sucesso e futuro promissor. Assim, vamos passando os anos colecionando imagens tristes e sombrias, quadros cada vez maiores de uma desigualdade atroz, que perambula entre o público e o privado e faz vítimas de norte a sul sem pesar.
E de tanto ver e rever, ouvir e comentar sobre a educação brasileira, uma perturbação inquietou-me o espírito. Há alguns anos, tenho presenciado pelos veículos de comunicação uma campanha bem ostensiva sobre a inclusão de alunos portadores de necessidades especiais na rede regular de ensino, ou seja, que todas as escolas brasileiras sejam “abertas às diferenças”. Contudo, enquanto estava na Universidade estudando, não vi dentro da área de licenciatura nenhuma preocupação por parte de nossos professores em tratar desse assunto ou apresentarem-nos propostas de ensino-aprendizagem voltadas a essa demanda social. Parece que tudo ficou apenas no campo da idéia e do marketing! Na prática, a educação não recebeu esses alunos de peito aberto, de forma concreta a fazê-los cidadãos integrados à vida e à prática do ensino; simplesmente, as portas das escolas se abriram como quem recebe visitas formais, sem vínculo de uma convivência mais estreita.
Que pena! O que adianta fomentarmos projetos de cotas de trabalho para portadores de necessidades especiais, se eles estão sendo preteridos do universo do saber? Onde estão os materiais didáticos voltados para a formação em cada conteúdo curricular, capazes de satisfazer as necessidades de cada aluno especial? Por acaso, você já viu em alguma papelaria caixas com lápis de cor, giz de cera ou tinta que sejam escritos em Braile1, para que o portador de deficiência visual possa reconhecer as cores de forma independente? É! Essas caixas não existem, porque para a maioria das pessoas, eles não precisam conhecer ou entender as cores, já que não enxergam. Mas, ao contrário desse pensamento limitado e preconceituoso, qualquer um que desenhe, pinte ou colora o faz para sua auto-satisfação; bem como, para a contemplação do mundo que, por sua vez, consegue admirar mais do que o preto e branco. Parece-me, também, que precisamos abrir os olhos mais amplamente para o universo dos cursos de licenciatura, ao invés de concordarmos com sua proliferação em série e sem qualidade. A sociedade anseia por um novo paradigma de docência, consciente de seu papel na construção da cidadania do país e, portanto, sendo verdadeiramente professores de todos os brasileirinhos e brasileirinhas sem distinção.
Quem sabe, não será descortinando esse véu ultrapassado do preconceito, que o trem da educação encontrará de vez seus trilhos no caminho certo e fará deste Brasil um país para todos?Aptos ou portadores de necessidades especiais somos todos filhos desta terra, pagadores de impostos, ouvidores de promessas, sustentáculos humildes dessa famigerada República; pois isso clamamos o parco direito de exigir que a educação não continue a ser moeda de esmola, de escambo ou de escárnio.
Segundo um antigo provérbio africano, “quando um homem morre é como se uma biblioteca inteira fosse queimada”2 e nós, ao permitirmos que a educação caminhe às cegas, estamos extirpando o nascimento de toda e qualquer semente do saber, deixando milhares de seres humanos ocos em parte de sua essência. Pense nisso!

23/09/06

ENTRE O BEM E O MAL

Por Alessandra Leles Rocha

A que ponto a humanidade chegou! A visão da sociedade mundial
tem sido a do mais profundo pesar. Quanto sofrimento, tristeza, dissabor,
apesar de tanta inteligência, tantas habilidades e tantos dons desperdiçados
em nome do luxo, da riqueza e, particularmente, do poder. Em pleno século
XXI assistimos, estarrecidos, ao massacre do duelo entre o bem e o mal.
Unidas ou em separado, as ações das "sementes do mal" têm levado milhares de
indivíduos à beira do desespero e da loucura. Focados no ter, ao invés do
ser, homens e mulheres cambaleiam entre suas mazelas diárias, em busca de
uma fonte que lhes ofereça novas perspectivas.
Diante do estalar das chibatas cotidianas, que ferem, escalpelam e mal
tratam corpo e mente, sem a menor piedade, fica fácil para o cérebro
assimilar, mesmo que em frações, a idéia na qual a vida só é vida quando
vista com lentes cor-de-rosa. E imbuídos em aquecer e elevar a chama desses
desvarios, há uma mídia que vende, maravilhosamente bem, as alegrias de ser
e estar na companhia de uma perfeita e bem sucedida estirpe. Para eles não é
preciso estabelecer parâmetros ou critérios, no sentido de dizer como tais
estrelas alcançaram tamanho glamour; basta apenas enaltecer que isso, sim, é
sinônimo de uma vida bem vivida. Sem dinheiro no bolso, nada tem valor, as
pessoas vêm e vão como meros figurantes.
Frente ao choque das imagens e palavras, o indivíduo perde a razão, a alma
desmonta sua guarda, e quase, sem querer, entrega-se à fúria dos chamados
pecados capitais - orgulho, avareza, luxúria, ira, gula, inveja e preguiça
-, os quais irão oprimi-lo e escravizá-lo no vivenciar de seus dias.
Dizem os mais experientes que, a tal baixa-estima é a culpada desse caos
moderno. De repente, pode até ser verdade. Ela conduz o pobre cidadão a sair
em busca de seu orgulho perdido, despreocupado com o menor senso de ética e
moral. Partindo da ensandecida inveja, uma praga corrosiva da alma humana,
destruidora dos mais fortes laços afetivos, as pessoas passam a superestimar
o alheio e esquecer, radicalmente, de seus próprios valores. À medida que o
tempo passa, ou seu foco torna-se muito inatingível, surge a ira para
tomar-lhe, além da alma, o corpo. Bate, xinga, grita, descabela e, se tudo
isso não lhe aplacar o desaforo de sua pseudo-inferioridade, recorre-se aos
extremos: mata ou fere seu algoz.
Vez por outra, alcançados os seus intentos, é hora de extravasar a alegria.
Mas, sempre só. Arrebatado pelas dificuldades de ver seus sonhos realizados,
o indivíduo aflora a avareza, impedindo-o de compartilhar até palavras e
pensamentos. E, para reduzir seu individualismo e insensibilidade, ele se
refugia na gula e na luxúria. Retoma antigas práticas de abuso e escravidão,
mesmo que dessa forma coloque em risco sua vida e a daqueles que, por
ventura, lhe são designados a satisfazer os desvarios e desejos.
O tempo vai passando, a vida se tornando cada vez mais enovelada, confusa,
difícil. Se desvencilhar dessa teia e iniciar novos caminhos, amparados por
anseios e pensamentos verdadeiramente edificantes, parece árduo demais.
Então, a preguiça paralisa, bloqueia a dinâmica força e coragem de alguns
indivíduos, para que eles prossigam nessa sua triste sina.
Muito embora, o quadro descrito pareça irreversível e cristalizado, ainda,
há tempo e meios para reescrever um novo final. Entre mortos e feridos desse
avassalador embate, restam pessoas firmes e fortes, convictas de seu papel
na sociedade, capazes de retirar dos olhos, daqueles brutalmente abatidos, a
venda corruptiva do mal; para que juntos, unidos pela fé e esperança, possam
partir rumo a construção de dias melhores, em que a vida seja vivida em
todas as suas vertentes, ao sabor do mel e do sal, do vinagre e da pimenta,
na mais perfeita medida.

Alessandra Leles Rocha

Publicação: www.paralerepensar.com.br 18/09/2006

19/09/06

TECNOLOGIA - comodidade, dependência ou parceria?


Por Alessandra Leles Rocha

Sob o argumento de trazer comodidade e reduzir o tempo gasto na execução das
mais diferentes atividades, a tecnologia resolveu, em parte, os problemas da
sociedade moderna; mas, trouxe consigo uma desmedida dependência do homem em
relação à máquina. Não creio que tal fenômeno tenha sido capaz de
incapacitar ou emburrecer qualquer indivíduo. O fato é que, cada dia mais,
as pessoas deixam de exercitar suas habilidades, sejam elas físicas ou
cognitivas, em nome das inúmeras máquinas, a seu dispor, para satisfazê-las.
Vive-se num tempo de "muletas" tecnológicas. E não pensem tratar-se apenas
de auxílio aos grandes afazeres! O bom e velho cafezinho, por exemplo,
tradicional sabor brasileiro, sofreu, nas últimas décadas, transformação
radical. Daquele cujos grãos eram moídos na hora, depois era filtrado em
coador de pano, saltou dos modernos filtros de papel para as renomadas e
eficientes cafeteiras elétricas. Se diante de tal evolução, o sabor do
cafezinho melhorou ou piorou é difícil precisar; apenas se ressalta uma
evidente indisposição das pessoas a participar diretamente dos corriqueiros
hábitos cotidianos. Ah, e não pára por aí! A cozinha, também, sem o
microondas não é mais cozinha. Na era dos congelados, ele é o astro
principal. E o celular?! Sem o celular a vida entra em colapso. Com tantos
compromissos, o trânsito engarrafado continuamente nas grandes cidades, o
pequeno aparelho é o único capaz de ordenar a situação. Nem as crianças
escapam da invasão tecnológica. Elas estão deixando de usar as ferramentas
escolares tradicionais - caderno, lápis, borracha etc.- para fazerem as
lições no computador. Assim, a caligrafia dos estudantes tem caminhado de
mal à pior, as operações matemáticas só conseguem ser realizadas com o
auxílio da calculadora, e eles vão lentamente se tornando subservientes aos
comandos tecnológicos, sepultando sua autonomia diante da vida.
Estamos todos apressados, atropelados por excessivas tarefas e, por isso,
contar com a tecnologia é sempre interessante. O problema é que ela
constitui uma ciência advinda das infinitas possibilidades de imaginar e
criar pelo homem; portanto, passível de, algumas vezes, não funcionar a
contento. E, como ironia do destino, esses eventuais episódios acabam por
acontecer justamente quando mais se precisa da máquina, ou seja, o prazo
chegou ao limite e só ela agilizaria o processo. Então se inicia o
xingatório, a gritaria, o quebra-quebra do aparelho tido como incompetente.
O indivíduo só esquece que o avanço da tecnologia veio para torná-la uma
colaboradora, uma grande parceira na caminhada diária, e não, uma substituta
para realizar seu papel, isenta de imperfeições. Veja bem, muito antes do
computador, o mundo já traçava seus mapas, desenvolvia seus projetos de
engenharia, fazia cálculos complicadíssimos; mas, hoje, se ele trava ou
trabalha vagarosamente, durante a execução desses serviços, as pessoas quase
têm um ataque do coração.
É bom lembrar que, para alguns, a tecnologia representou a perda do emprego
- a máquina diminuiu a necessidade de mão-de-obra, em razão de sua
auto-suficiência-, para outros, ela significou a aposentadoria forçada ou
precoce - resultado do sedentarismo operacional. Ela, também, promoveu o
encurtamento das distâncias geográficas, favoreceu a globalização; mas,
tornou as pessoas isoladas num comportamento individualista, permitindo se
conhecer muito superficialmente, fazendo uso de subterfúgios virtuais para
disfarçar suas próprias imperfeições, defeitos, ou mascarar possíveis más
intenções.
Em suma, a tecnologia provocou um evidente desequilíbrio. A mente humana tão
fantástica, repleta de infinitas possibilidades de criação, caiu em sua
própria teia. Mas, ainda há tempo para retomar as rédeas dessa situação,
reconhecer a capacidade que temos de sobreviver sem aparatos high-tech, de
aceitarmos que tal dependência é, apenas, fruto de uma sociedade
consumista, na qual a capacidade de aquisição material serve de indicador
social, do grau de status. Por mais inteligência a ser desenvolvida e
disponibilizada a uma máquina, a magnitude da vida, em todas as suas
nuances, vêm única e exclusivamente do sopro divino e, não, dos chips e
conexões; daí, o homem não poder se deixar sucumbir a sua própria criação.

27/08/06

PRECONCEITO – a sombra da humanidade

Por Alessandra Leles Rocha
Não consigo entender essa mania que o ser humano tem de se achar invencível e imortal, numa convicção plena de que nada, nem ninguém, pode vir a ofuscar seu brilho enquanto viver sobre a Terra. Em meio a essa arrogância tamanha, ele olha as diferenças e as desigualdades com colossal desdém. Mas, num mundo como esse cheio de surpresas e desafios, quem de nós pode garantir com certeza alcançar êxito em tudo?
Parece haver uma forte recusa em admitir a existência de fatores limitantes espalhados ao longo do caminho. Quando vejo alguém manifestar, de alguma forma, preconceito contra um portador de necessidades especiais, fico bastante indignada, pois vejo o quão estreita é a visão do preconceituoso. Desde o momento da concepção a sorte de nossa vida é lançada e o que viermos a ser ou viver será, em grande parte, uma surpresa. Por isso, estamos todos na incerteza de nos tornarmos ou não indivíduos especiais, queiramos admitir ou não esse fato. Entretanto, bloqueamos todos os sentidos para não aceitarmos as adversidades e criamos um universo perfeito acessível somente aos “perfeitamente normais”, sem sombras de qualquer dificuldade. Desse modo, por exemplo, os apartamentos têm sido planejados e construídos com espaço tão limitado que, caso alguém quebre a perna e precise temporariamente de uma cadeira de rodas, não haverá condição de uso. Pense, também, sobre os grandes centros urbanos, cujo calçamento irregular ou inadequado é empecilho sério para os portadores de necessidades especiais e a causa de acidentes gravíssimos para os que não têm nenhuma limitação. E, dentro de um outro contexto, os acidentes com armas de fogo, perfurocortantes e o uso de drogas são outros grandes promotores na arte de transformar pessoas saudáveis, em doentes crônicos e dependentes.

Portanto, ninguém está livre das peripécias do destino e, por isso não pode passar o resto da vida olhando para o próprio umbigo, ridicularizando, humilhando e segregando aqueles menos afortunados; mas, não menos capazes e cidadãos. Mesmo quem se diz “normal” e “perfeito”, no fundo no fundo, esconde dentro de si uma infinidade de deformações morais, que se comparadas a qualquer deficiência física, são muito mais vergonhosas e limitantes ao convívio social. Esse tipo de anomalia da alma impede verdadeiramente as pessoas de serem felizes, de aceitarem a si e ao próximo com generosidade e compreensão; elas conseguem sem grandes esforços mutilar os bons sentimentos, o caráter, as visões claras, objetivas e acolhedoras sobre um mundo mais igualitário e fraterno.
Como dizia Nelson Rodrigues1, “de perto ninguém é normal”; então, por que pensar que somos melhores uns do que os outros, hein?! As diferenças existem para resultar em grandes conquistas e feitos, não para dividir a sociedade em blocos competitivos e menos empreendedores. Elas são o impulso para tirar o indivíduo do comodismo e alçá-lo a superar o inimaginável. Assim, deixe de torcer o nariz para o próximo e faça de suas próprias limitações à dádiva para evoluir e se tornar um ser mais consciente e pleno diante do milagre maior que é a vida.
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RESPOSTA IMEDIATA:
Enviada por (paulo.fernandes2@yahoo.com.br)
Tratado garante direitos de deficientes físicos
Geoff Adams-Spink
De Nova York


Pelo menos 45 países já possuem legislação sobre o tema
Um tratado internacional que garante mais direitos a portadores de deficiências foi acordado entre os países das Nações Unidas (ONU). Espera-se que o texto seja assinado pelos países a partir de setembro, quando acontece a Assembléia Geral das Nações Unidas. A Convenção da ONU sobre Direitos das Pessoas com Deficiências, negociada na sede da entidade em Nova York, tem como objetivo melhorar a vida da população de portadores de deficiência em todo mundo - que é estimada hoje em 650 milhões. Este é o primeiro tratado internacional do século 21 sobre direitos humanos. Ele demorou quatro anos para ser concluído. A ONU espera que o documento seja um marco na vida das pessoas com deficiências.
"A Convenção vai obrigar os Estados a desenvolverem formas diferentes de pensarem sobre deficiência", disse o diretor da comissão ad-hoc sobre o tema, o embaixador Don MacKay, da Nova Zelândia.

Brasil:
Entidades ligadas aos direitos das pessoas com deficiências acreditam que, para o Brasil, a ratificação do tratado pode significar avanços na implementação de leis no país.
"O Brasil tem uma das legislações mais avançadas do mundo em relação a pessoas com deficiência", afirma a consultora de políticas públicas do Instituto Paradigma, Naira Rodrigues.
O instituto foi a primeira organização da sociedade civil brasileira a participar dos debates sobre a Convenção, em 2005.
"Essa legislação, no entanto, não significa que o país considere as questões das pessoas com deficiência prioritárias. Há muita dificuldade na implementação dessas políticas", diz a consultora. Segundo Naira Rodrigues, a ratificação garantirá que o Brasil seja monitorado por um comitê internacional. Isso, acredita a consultora, facilitaria a fiscalização do cumprimento da legislação e a implantação de políticas públicas adequadas ao segmento no país. Entre os problemas no Brasil, Naira Rodrigues cita como exemplo o diagnóstico e a atenção precoce a deficientes, que são previstos pela legislação, mas não são colocados em prática.

31/07/06

Pelas estradas do caminho

Por Alessandra Leles Rocha


Não é de hoje, que os veios de transporte do grande Brasil clamam por providências. A imensa malha viária criada para ser um importante agente facilitador no desenvolvimento da nação insiste bravamente em não sucumbir às erosões e toda falta de manutenção regular.
Desde que o país optou pela priorização do sistema rodoviário em detrimento dos demais, era preciso, então, estruturar um planejamento de uso e recuperação capaz de acompanhar a demanda nacional. Entretanto, mais uma vez, a idéia não foi amparada devidamente pelos braços da razão e o resultado está amostra de todos. A cobertura asfáltica de má qualidade e sem estudo prévio de solo para sua aplicação, não adere satisfatoriamente e rompe por causa do peso dos caminhões e carretas; além do volume intenso do tráfego. As encostas, quase sempre, desprovidas de cobertura vegetal se desfacelam durante o período das chuvas, promovendo o surgimento de imensas erosões, a ponto de deixar interrompida por vários dias a comunicação entre os municípios da localidade. Também, por causa das chuvas, pontes são carreadas e destruídas em função de toda a sua fragilidade estrutural. Somado a todos esses senões, estão à precária sinalização para os condutores, a ausência ou má habilitação destes – que, apesar dos pesares, persistem no abuso da velocidade, no excesso de bebida alcoólica, em dirigir sonolentos, usar o celular enquanto trafegam -, e a falta de fiscalização periódica ao longo das vias.
Assim, o resultado não poderia ser diferente. O tempo gasto no transporte de mercadorias tem aumentado dia-a-dia e gerado considerável alta nos preços ao consumidor, o excessivo gasto com combustíveis e peças de reposição para os veículos (especialmente, freios e pneus), a redução no valor do frete para os motoristas, os freqüentes reajustes nos preços das passagens de ônibus intermunicipais e estaduais; além, de facilitar a abordagem dos assaltantes que aterrorizam as estradas. São tantos os problemas, que muitas pessoas têm optado por viajar de avião. Reduz-se o tempo de viagem, a passagem pode ser parcelada, e todos os demais inconvenientes do percurso terrestre transformam-se em fumaça nos ares. Pena, não ser possível fazer uso desse recurso para todos os lugares! O acesso para a grande maioria das cidades brasileiras ainda é pelas estradas e rodovias. Desse modo, ficamos a mercê da vontade dos governos federal e estadual no sentido de nos garantir paz e tranqüilidade em nosso direito de ir e vir. Mas, mesmo diante de tudo isso, com as estatísticas assinalando catástrofes cada vez piores, a morosa burocracia governamental brasileira faz “ouvidos de mercador” e continua a empregar seus recursos em missões “tapa buracos”, como se houvesse somente isso a ser feito. Inclusive, há pessoas dizendo por aí que todos os problemas foram superados e o Brasil está prontinho!
É! Quem tem que enfrentar todos os dias, esse inferno na Terra, só pode contar com a sorte ou muita oração, para chegar bem no final da empreitada. Aos católicos fica o apelo a São Cristóvão, padroeiro dos motoristas; as outras religiões vêem-se a devoção na força da fé. Essa crença em uma força maior, para nos proteger dos perigos pelas estradas do caminho, acalenta a indiferença sofrida por aqueles que agem sem responsabilidade. De resto, vamos vivendo na esperança de que as estradas nos levem a muitos lugares e, não apenas, ao encontro da morte.

15/07/06

A mais nova comentarista do Portal, a partir de HOJE!

NE: Seja Bem-vinda!



NEM SEMPRE QUERER, É PODER!

Por Alessandra Leles Rocha
Convidada especial/Comentarista


A cada dia que passa mais perplexa fico diante da desvairada investida da humanidade para alcançar o poder. Pois é, o poder, essa condição de supremacia absoluta sobre os demais, tão abstrato e subjetivo e, ao mesmo tempo, tão real e manipulador.
Tem sido impossível passar despercebido por esse assunto, já que o mundo moderno exibe seu retrato, estampando como mola propulsora de suas mazelas e grandes conquistas, na ascensão máxima a qual se pode alcançar. E para isso, nada deve intervir como fator limitante e tudo passa a ser corriqueiramente permitido. Vale tudo: batalhas sangrentas, fome, segregação de todos os tipos, invasões territoriais, disputas religiosas, corrupção, narcotráfico, escravidão.
E por mais que se faça o impossível nessa conquista alucinada, o poder sempre parece tornar-se mais inatingível, como uma peça de um jogo de xadrez a se deslocar à frente de seus jogadores. O poder é volátil, volúvel, porque não deve pertencer a ninguém. Quando isso deixa de ser compreendido e verdadeiramente assimilado, o subjulgamento entre as pessoas inicia o seu processo. Sob a égide da superioridade, seja ela bélica, intelectual, financeira, étnica ou religiosa, indivíduos partem sozinhos ou em grupos para o ataque, a conquista e a imposição de suas verdades sobre os demais. Trata-se de uma massificação arbitrária da sociedade, para que apenas alguns tenham para si o direito de propriedade e do uso de todos os recursos que lhes aprouver.
Assim, as diferenças se intensificam, as rivalidades se acirram, e o mundo vai gradativamente transformando-se em campo minado prestes a explodir. De tempos em tempos os conflitos eclodem deixando suas marcas irreparáveis, especialmente, no que diz respeito as ranços psicológicos entre os que estiveram diante dos fatos. Mas, é curioso pensar que jamais, em tempo algum, nenhuma dessas disputas revelou seus vencedores de fato e de direito. É! Na busca pelo poder há sempre um vale de perdedores, cada qual padecendo de uma vergonha. Vidas foram sacrificadas sem razão, vivem-se os dias com medo das represálias e retaliações, recursos financeiros - que poderiam aplacar as urgências recorrentes de tantos povos – perdidos entre os escombros, a força motriz de uma nação destruída ou invalidada, vergonhas que o tempo não cobrirá e nem os livros de história irão se esquecer. Os grilhões da tirania continuam a atirar farpas entre si. Em nome de Deus continuam a matar e a morrer. Entorpecidos pela vaidosa arrogância, algozes cristãos julgam seus pares muçulmanos sem nenhum constrangimento. São os reflexos desse tal poder, estilhaçando vidraças por todo o planeta.
Infelizmente, apesar de todos os pesares, embora muitos consigam enxergar que esse devaneio todo não fez, até agora, o menor sentido, é pura falta de visão; outros ainda terão que presenciar, ou vivenciar, cenas mais ultrajantes para se posicionar de maneira diferente. Falta ao homem saber respeitar os direitos e deveres, os limites éticos e morais, as diferenças, antes de desejar possuir algum grau de poder nessa vida. Falta-lhe entender de uma vez por todas que “nem sempre querer, é poder”!

11/07/06

POR INDICAÇÃO DE INTERNAUTAS

A escritora ALESSANDRA LELES ROCHA (foto) foi indicada ao portal pelo comentarista titular Elvandro Burity.
Portanto, aí está a crônica de estréia de Alessandra a quem convido de público, através de Elvandro, a participar de nosso portal.
Seja bem-vinda.

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NA MIRA DO CUPIDO!
Por Alessandra Leles Rocha

Todo ano é assim, basta o primeiro vento frio a uivar pelo ambiente, para que homens e mulheres percebam a necessidade de encontrar sua cara-metade. Não sei se isso é um reflexo da melancólica atmosfera de inverno; mas, de um modo geral, as pessoas ficam bem mais susceptíveis às investidas do cupido nessa época do ano.
E para auxiliar a promoção de tantos encontros, a cultura popular; bem como, o comércio, aposta forte no Santo Casamenteiro – Santo Antônio, festejado no dia treze de junho – e na comemoração do Dia dos Namorados – dia doze de junho –, no sentido de quebrar o gelo dos mais renitentes e aquecer o espírito dos já entregues ao poder da paixão ou, quem sabe, do próprio amor.
Nas noites frias, mas com o céu bem estrelado, em envolventes “arraiais juninos” não há coração que resista ao calor da fogueira, a animação das danças, ao fetiche das fantasias, ao sabor das bebidas e comidas, e se acabe num beijo daqueles de ouvir rojões. Os menos afoitos, mas não menos carentes e sonhadores, aproveitam a noite de Santo Antônio para realizar as tradicionais simpatias do amor. “É faca enfiada no caule da bananeira”, “é papelzinho dobrado na bacia com água”, são orações e mais orações com os joelhos no chão; tudo para ver se a solidão se afasta e a vida ganha cores mais vibrantes. O que não vale é continuar sem um par!
Apesar dos arrojos tecnológicos, da modernidade a reduzir significativamente as distâncias, o jeito simples e tradicional da paquera continua a todo vapor. É como se o velho e bom “olho no olho” desse resultado de maior garantia, criando expectativas menos frustrantes, deixando claro quem é quem e a que vieram, com mais verdade, sem propagandas enganosas. O tempo já caminha tão veloz, arrastando a vida brutalmente, que não devemos outorgar as máquinas o direito de substituir o encanto e a magia na construção dos laços afetivos. Por um curto espaço de tempo pode até funcionar, ser interessante; mas, à medida que a pulsação acelera, o tempo não passa depressa, a boca seca de ansiedade, sente-se a enorme precisão de estar junto, de mãos dadas, presos nos laços de grandes abraços.
Enfim, o ser humano gosta tanto de complicar, dissimular; mas, no fundo no fundo, basta o inverno chegar para suas carências se aflorarem e ele se ver necessitado de mais do que um simples cachecol ou um par de meias de lã. Ele precisa mesmo é ser feliz e, como já dizia Tom Jobim1 “é impossível ser feliz sozinho”2.


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1 Tom Jobim é um dos nomes que melhor representam a música brasileira na segunda metade do século XX. (http://cliquemusic.uol.com.br/artistas/tom-jobim.asp)
2 Wave – Tom Jobim. (http://tom-jobim.letras.terra.com.br/letras/49074/)

Alessandra Leles Rocha

Publicação: www.paralerepensar.com.br 01/06/2006

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